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07/06/2018 «¢s 09h00min - Atualizada em 07/06/2018 «¢s 09h00min

Três Lagoas se mobilizou para barrar o gás de xisto na cidade

Três Lagoas se mobilizou para barrar o gás de xisto na cidade

Os impactos devastadores que a extração do gás de xisto poderá causar ao meio ambiente e à população de Mato Grosso do Sul foi tema de audiência pública na noite de terça-feira (5) na Câmara Municipal de Três Lagoas. Na oportunidade, o evento reuniu representantes de diversos setores da sociedade e mais de 200 pessoas marcaram presença.


Em parceria com o deputado estadual Amarildo Cruz (PT) e a organização não governamental Coesus, o debate foi promovida pelo vereador Flodoaldo Moreno Júnior.


O município de Três Lagoas está entre as 54 cidades sul-mato-grossenses que poderão ser impactadas com uma eventual extração de combustível fóssil na região. Ela integra a bacia do Rio Paraná no Estado e, segundo análises da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), onde existe a possibilidade de encontrar o gás de xisto no Estado.


Para o deputado Amarildo Cruz, a proposta da audiência pública é elucidar a população sobre as consequências da exploração e os impactos que acarretará em seu dia a dia. “A minha intenção foi pôr na agenda política, econômica e social do nosso Estado a discussão do gás de xisto. As autoridades públicas pouco sabem a respeito, a imprensa não sabe direito o que é xisto e, mesmo assim, a ANP já realizou leilões onde dois municípios do nosso Estado foram arrematados, Santa Rita do Pardo e Brasilândia, e a qualquer momento pode começar a extração”, disse.


Amarildo falou também sobre a possibilidade das riquezas naturais da região que poderão ser impactadas, caso não sejam tomadas as providências necessárias. “Nosso Estado está localizado sobre o Aquífero Guarani, a principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e uma das maiores do mundo, e essa riqueza natural pode ser contaminada caso não sejam tomadas providências, a fim de evitar esse crime ambiental”, e conclui. “Se não temos opinião para formar juízo de valor e endossar, se não temos segurança, tem que haver precaução. Na dúvida, não temos direito de colocar o patrimônio do solo e da água em risco".


O parlamentar estadual é autor do projeto de lei n° 0003/2018 na Assembleia Legislativa, que pede a suspensão da exploração do gás em Mato Grosso do Sul, no período de dez anos, para que sejam realizados estudos aprofundados a respeito dos reais danos na produção do combustível fóssil.


Proponente do debate, o vereador Flodoaldo apresentou na Câmara Municipal, no final do mês de maio, um projeto no âmbito municipal que suspende por dez anos a exploração do gás de xisto.


 A audiência pública para discutir o gás de xisto contou também com a presença do promotor de Justiça, Antônio Carlos Garcia de Oliveira; da professora doutora Kaelly Virgínia de Oliveira Saraiva; do vice-prefeito de Três Lagoas Paulo Salomão; da ativista ambiental Suelita Rocker, representando a Ong Coesus; e do mestre em Planejamento e Dinâmica Ambiental, especialista em Gestão e Educação Ambiental, biólogo e engenheiro sanitarista e ambiental, Danilo Pinho de Almeida.


Três Lagoas é a quarta cidade do Estado a receber o debate. As audiências foram também realizadas nos municípios de Campo Grande, Nova Alvorada do Sul e Santa Rita do Pardo.


Técnica de extração do gás de xisto


A técnica utilizada na extração do gás de xisto, utilizado na geração de energia elétrica, é conhecida como fraturamento hidráulico ou fracking, que ultrapassa as fontes subterrâneas de água, onde um cano de aço, revestido por cimento injetado, leva água e produtos químicos e sua pressão causa fraturas que liberam o gás, altamente poluente, e que contamina a água, solo e ar.


Municípios de Mato Grosso do Sul já ofertados em leilão da ANP


Água Clara, Anaurilândia, Angélica, Bataguassu, Batayporã, Brasilândia, Campo Grande, Deodápolis, Ivinhema, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Novo Horizonte do Sul, Ribas do Rio Pardo, Rio Brilhante, Santa Rita do Pardo, Taquarussu, Três Lagoas, Alcinópolis, Bandeirantes, Camapuã, Cassilândia, Chapadão do Sul, Costa Rica, Inocência, Rochedo e São Gabriel do Oeste.




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AUTOR/FONTE: Da assessoria

Luiz Carlos Atagiba

(luizatagiba@ibest.co­m.br)

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