domingo, 21 de outubro de 2018
(67) 9-9959-0792
Esportes

13/06/2018 às 10h41

31

Redação

Campo Grande / MS

Copa será realizada pela primeira vez nos Estados Unidos, México e Canadá
Copa será realizada pela primeira vez nos Estados Unidos, México e Canadá

Num processo que envolveu até chefes-de-estado, a Fifa designa a América do Norte como sede da Copa de 2026. Essa é a primeira vez que o evento será disputado em um continente, e não apenas num país. O Mundial ainda volta para o mercado americano, mais de três décadas depois da primeira Copa em 1994.


A América do Norte ficou com 134 votos, contra apenas 65 para o Marrocos. 


A votação ocorreu nesta manhã, em Moscou, durante o Congresso Anual da Fifa. Os americanos usaram uma cartada que agradou a muitos na Fifa: a promessa de uma receita recorde de US$ 15 bilhões, quase três vezes o que se obteve no Brasil em 2014. A votação ainda cumpriu um plano do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que precisava levar o Mundial para os EUA, país que o apoiou para assumir o comando da entidade em 2016.


Numa tacada só, ele retribuiu sua eleição, compensou os americanos pela derrota na Copa de 2022 e ainda criou um compromisso do governo dos EUA de não atacar sua entidade.


Pelos planos da América do Norte, um total de 17 cidades se candidataram poderão sediar jogos. 80% da Copa ocorrerá nos EUA, enquanto México e Canadá ficarão cada um deles com 10% das partidas. A Copa ainda será a primeira com 48 seleções, o que exigirá 80 partidas, dezenas de campos de treinamento e uma infra-estrutura perfeita. Na avaliação técnica da Fifa, a candidatura americana era bem superior à marroquina.


Depois da polêmica e suspeita de compra de votos para a Copa de 2022, a Fifa reformou seu processo de eleição. Até agora, quem votava eram apenas os 24 membros do Comitê Executivo da entidade. Desta vez, as 209 federações votaram e o resultado foi publicado.


Marrocos, em sua última apresentação diante dos eleitores, tentou insistir no aspecto emocional, alertando que a decisão não pode ser apenas financeira. Um dos ministros marroquinos também acompanhou a delegação, dando garantias financeiras. Mas ele também apontou que as armas estão proibidas no país, num ataque aos americanos. Outra arma usada: a acusação diante dos eleitores de que um garoto americano não saberia quem seria Maradona.


Já nos bastidores, os marroquinos também tentaram insistir no fato de que a candidatura unida não seria tão unida, diante da tensão hoje existente entre o presidente americano, Donald Trump, e seus vizinhos.


Como resposta, a candidatura americana usou um jogador canadense, que chegou como refugiado, para romper com a imagem de racismo ou xenofobia do governo de Trump. As referências aos imigrantes, união e solidariedade se repetiam. Brianna Pinto, jogadora americana, fez referência à sua boa relação com atletas iranianas. Mas não convenceu.


Os americanos também insistiram que, pela infra-estrutura que o continente dispõe, a Copa poderia ocorrer la a qualquer momento. “Já está tudo pronto. Não precisamos construir nada”, apontou um video da candidatura. Além disso, a receita da Copa no Marrocos seria menos da metade daquela que os americanos garantiriam. 


TRUMP

A realidade é que a última noite foi permeada por barganhas e tensão. Na véspera do voto, Holanda e Luxemburgo mudaram de lado e anunciaram seu apoio ao marroquinos. Nos bastidores, o ex-presidente da Uefa, Michel Platini, estava na campanha. O governo da França, depois de receber promessas de que ganharia contratos em obras no Marrocos para os novos estádios, passou a ser o principal cabo-eleitoral.


Mas as capitais e governos também entraram na disputa. Os cartolas americanos solicitaram que Donald Trump usasse o encontro histórico com a Coreia do Norte para pedir apoio do país asiático à sua candidatura.


Horas antes da votação, o presidente Vladimir Putin informou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, de que apoiaria os americanos, levando consigo seus aliados.


Trump também acionou o Conselho Nacional de Segurança para fazer pressão entre os aliados, enquanto seu genro, Jared Kushner, convenceu os sauditas a não apoiar o país muçulmano e se aliar aos americanos. Funcionou.

FONTE: Jamil Chade

Clique nas imagens abaixo para ampliar:
O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários
Veja também
Facebook
© Copyright 2018 :: Todos os direitos reservados
Site desenvolvido pela Lenium